Sistemas Simbióticos Interativos


Imagem feita pelo Bing Image Creator e modificada pelo autor do blog

 

Fala, caro colega,

 

Esse é o primeiro assunto que vamos discutir no blog.

 

Se você for como eu, não gosta de ficar na superfície dos assuntos e tem uma grande curiosidade de como as coisas funcionam, esse texto vai ser legal para você. Já faz um tempo que eu venho estudando sobre mídias digitais, principalmente a parte humano-computador (só o UX para mim não foi suficiente), que é a minha especialização.

 

Um livro que eu estou lendo no momento é o "Symbiotic Interaction", da Editora Springer. É um compilado de diversos papers científicos sobre sistemas simbióticos humano-computador. Mas a primeira vez que eu ouvi falar sobre simbiose foi quando eu tinha 10 anos e estava lendo uma história em quadrinhos da Marvel chamada "Guerra Secreta", em que um grupo de heróis e vilões são colocados em um planeta vazio por uma entidade chamada Beyonder (tipo um Deus no universo Marvel), ele queria entender sobre o bem e o mal. Nesse mundo, o Homem-Aranha ganha um novo traje que é todo preto e que, no futuro, vira o vilão Venom. Esse ser é tipo um parasita que depende de um hospedeiro para viver (se você gosta de quadrinhos ou filmes, o resto você já sabe).

 

O dicionário online em português diz que “adjetivo que se refere à simbiose, à associação de dois ou mais seres que, embora sejam de espécies diferentes, vivem em conjunto, compartilham vantagens e se caracterizam como um só organismo. Diz-se do organismo que se mantém vivo por simbiose".

 

Depois dessa aula nerd, voltamos para os sistemas simbióticos de interação. Em um resumo simples, são sistemas em que temos dependências de ações da parte humana para que o objetivo do sistema funcione. Por exemplo, um buscador de internet depende de que você insira os termos de busca para que eles entendam o comportamento do usuário e disponibilizem o que você procura de forma customizada. E com os dados capturados, vendam para seus anunciantes os diversos perfis de usuários, nos quais os anunciantes façam anúncios de forma certeira para determinado público (assim eles conseguem manter o negócio, lembre-se que tudo é negócio), criando uma relação simbiótica entre quem usa e quem fornece o serviço. Outro exemplo são sistemas como as IA's generativas. Essas IA's generativas (como diz o professor Miguel Nicolelis "Não são inteligentes assim") precisam de muitos dados a serem inseridos por seus usuários ou administradores na suas knowledge base(vector data) para que funcionem de forma assertiva ao objetivo que se propõe.

 

Num futuro, eu creio que todo sistema será um sistema simbiótico. Porque todos os sistemas irão depender da grande quantidade de dados para que tenhamos experiências customizadas para cada tipo de usuário. Por exemplo, ao entrar em um e-commerce, ele já vai antever o que você quer, baseados nos dados do dispositivo que você está usando (com a sua autorização), porque você clicou nos termos de aceite, que muitas vezes não lemos (muito importante ler os termos de uso), nos quais o sistema captou os dados e, de forma mágica, nos deu o que procurávamos (não tão mágica assim, olha a LGPD). Ou seu app bancário que você precisa fazer uma transferência para sua mãe sem ter que navegar pelas telas do app até chegar na rota de transferência porque ele entendeu que você precisa transferir um dinheiro ou porque você tem um número de CPF na área de transferência e ele pergunta se você quer transferir nesse CPF e assim através do comportamento as empresas vão se adaptando aos usuários e ao comportamento deles.

 

Sabemos que há uma grande discussão no que tange à segurança de dados no mundo digital. Muito é discutido no documentário "A Privacidade Hackeada" da Netflix. Eu creio que estamos no início desse processo, com um grande caminho a ser trilhado e muita grama para ser cortada.

 

O mundo digital está navegando para a era da customização de experiências. Para empresas digitais, você será um indivíduo único, não um número na multidão (na realidade somos um número no mundo digital, mas isso é uma outra conversa) e ela entregara experiencias únicas para você o que chamamos teste A/B vai ser coisa do passado.


 Lembre-se, se seu sistema tem interdependência de outras ações para que ele se alimente para realizar as suas funções, é só lembrar do Homem-Aranha quando falamos de sistemas simbióticos.


Apesar de ser um assunto muito acadêmico, espero que eu tenha ajudado você a conhecer os universos do designer que não fica só em telas e jornadas. Ele vai muito além do que se vende por aí, meu pequeno gafanhoto.


 

Referencias:

AMER , Karin; NOUJAIM, Jehane . Privacidade Hakeada. documentário, 2019. Disponível em: https://www.netflix.com/br/title/80117542. Acesso em: 25 nov. 2023.

 

AUTORES, Diversos . Symbiotic Interaction: Book Subtitle 5th International Workshop, Symbiotic 2016, Padua, Italy, September 29–30, 2016, Revised Selected Papers. 5. ed. California, EUA: Springer, 2017. 346 p. v. 1. ISBN 978-3-319-57753-1 Published: 21 April 2017.

 

SHOOTER, Jim. Guerras: Secretas. Toda máteria, 1984. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerras_Secretas. Acesso em: 25 nov. 2023.

 

https://www.dicio.com.br/simbiose/

 

NICOLELIS, Miguel. Ciência Sem Fim #188. Toda a Matéria, 2023. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=jOXM4SS6dMI&ab_channel=Ci%C3%AAnciaSemFim. Acesso em: 01 dez. 2023.

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